O termo “cérebro podre”, ou brain rot, ganhou notoriedade ao ser escolhido como a palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford

O termo “cérebro podre”, ou brain rot, como é conhecido na expressão original em inglês, ganhou notoriedade ao ser escolhido como a palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford. Embora inicialmente usado de forma irônica para descrever a sensação de estagnação mental causada por horas de consumo de conteúdo superficial, a expressão tem encontrado respaldo na ciência. Estudos recentes indicam que o consumo excessivo de informações rápidas e de baixa qualidade pode estar literalmente remodelando o cérebro, com impactos profundos na cognição, memória e saúde mental.
Não se trata apenas de uma metáfora. Pesquisas científicas, incluindo uma meta-análise de 27 estudos de neuroimagem, apontam uma conexão entre o uso excessivo da internet e a redução no volume da massa cinzenta em regiões cerebrais essenciais. Áreas como o córtex pré-frontal, que desempenham papéis fundamentais no controle de impulsos, tomada de decisões e planejamento, são particularmente afetadas.
Essas alterações estruturais são semelhantes às observadas em dependentes químicos de substâncias como metanfetaminas e álcool. Para Michoel Moshel, pesquisador da Universidade Macquarie, isso é agravado pelo design das plataformas digitais, que exploram nossa tendência natural de buscar novidades. “Essa característica foi essencial para a sobrevivência humana, mas na era digital, é usada contra nós para alimentar o consumo compulsivo”, explicou ao El País.
Além das alterações cerebrais, o impacto é sentido no comportamento. O consumo desenfreado de conteúdo digital está ligado a uma redução significativa na capacidade de atenção sustentada, habilidade essencial para o aprendizado e a resolução de problemas complexos. Estudos compilados em uma meta-análise publicada no The Conversation mostram que o impacto atinge todas as idades, mas é especialmente grave entre jovens.
O caso preocupante dos jovens
Os adolescentes e pré-adolescentes são os mais vulneráveis ao excesso de tempo em frente às telas. Dados da ONG Common Sense Media revelam que adolescentes passam, em média, 8 horas e 39 minutos diários conectados, enquanto pré-adolescentes acumulam 5 horas e 33 minutos. No contexto educacional, o problema se intensifica: 84% dos educadores australianos consideram as tecnologias digitais uma distração nas salas de aula, segundo um estudo do Instituto Gonski da Universidade de Nova Gales do Sul.
Mais alarmante, no entanto, é o impacto sobre a saúde mental. A pesquisa publicada na revista Nature revelou que jovens com sintomas de ansiedade e depressão têm maior probabilidade de consumir conteúdos digitais de baixa qualidade, criando um ciclo vicioso: a deterioração emocional leva a um consumo maior, que, por sua vez, agrava os sintomas.
Do e-mail às redes sociais: uma trajetória de excessos
Curiosamente, os primeiros sinais de alerta vieram de algo que hoje parece inofensivo: o uso excessivo de e-mails. Em 2005, uma pesquisa da Universidade de Londres revelou que trabalhadores que verificavam constantemente seus e-mails e celulares experimentavam uma queda média de 10 pontos no QI, um efeito comparável ao de noites mal dormidas ou ao uso moderado de maconha.
Hoje, a situação é exponencialmente mais complexa. Com a introdução de redes sociais, notificações constantes e a rolagem infinita, a atenção se tornou um recurso escasso e disputado. Aplicativos como TikTok, Instagram e Twitter, com seus conteúdos rápidos e algoritmos personalizados, são projetados para maximizar o tempo de tela, muitas vezes à custa do bem-estar mental de seus usuários.
Consequências cognitivas profundas
O bombardeio constante de estímulos digitais não apenas afeta nossa atenção, mas reconfigura a forma como processamos informações e tomamos decisões. Eduardo Fernández Jiménez, psicólogo clínico do Hospital La Paz, explica que nosso cérebro ativa diferentes redes neurais para diferentes tipos de atenção. A exposição contínua a estímulos fragmentados e variáveis prejudica a capacidade de atenção sustentada, essencial para atividades intelectuais mais complexas.
As consequências são mais amplas do que parecem. Além de enfraquecer a memória e a capacidade de resolver problemas, esse novo padrão de consumo digital pode limitar nossa habilidade de enfrentar desafios sociais e ambientais urgentes. “Ironia do destino: estamos perdendo capacidades cognitivas fundamentais justamente no momento em que mais precisamos delas”, destacou Jiménez.
É possível evitar a “podridão cerebral”?
Especialistas sugerem abordagens práticas e estruturais para enfrentar o problema. No nível individual, a limitação consciente do tempo de tela é um passo crucial. Atividades que exigem presença física, como esportes, encontros presenciais e hobbies manuais, são essenciais para restaurar o equilíbrio.
Além disso, priorizar conteúdos educativos e evitar o consumo de notícias sensacionalistas e entretenimento vazio pode ajudar a reverter parte dos danos. “É preciso treinar a mente para buscar conteúdos de qualidade, que estimulem a reflexão em vez de apenas alimentar um vício”, aconselha o psicólogo Carlos Losada.
No entanto, a responsabilidade não pode recair apenas sobre os indivíduos. Políticas públicas e regulamentações mais rígidas sobre o design de algoritmos que promovem o vício digital são fundamentais. Transparência das empresas de tecnologia e educação crítica para o uso de dispositivos digitais são apontadas como estratégias essenciais.
Repensando o futuro digital
O fenômeno da “podridão cerebral” é um reflexo de como a era digital está moldando nossa sociedade. Enquanto a tecnologia trouxe avanços incontestáveis, ela também nos expôs a desafios cognitivos sem precedentes. Repensar nossos hábitos digitais e exigir maior responsabilidade das empresas de tecnologia pode ser o primeiro passo para reconquistar o controle sobre nossas mentes.
Afinal, o cérebro humano não foi projetado para viver em um fluxo constante de notificações, tweets e vídeos curtos. Ele foi feito para explorar o mundo, resolver problemas e criar. Talvez seja hora de desconectar e lembrar que, além da tela, há um universo esperando para ser vivido – e, mais importante, pensado.
Com informações de:https://semanaon.com.br/comportamento/como-o-excesso-de-tela-pode-estar-reconfigurando-nossas-mentes/Tecnologia

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